Borboletas

Borboleta amarela,

pousou na janela,

sussurrou sobre ela,

batendo asas, seguiu.

 

Borboleta Roxa,

olhou para moça,

é ele seu moço,

que tem alvoroço.

segue o tempo,

borboleteia adventos,

de um novo tempo,

de se ver em si.

 

E poeta dormindo,

descreveu o sonho,

sorriu pequenino,

e seguiu a sonhar.

Borboletas, borboletas

que sonho de freira.

 

 

Rosas de Algodão

Declamaria

Rosas de Algodão

Desfaleço todos os dias aguardando você…

Nessa espera asfixiante

Senti a agonia de não te ter

Sonho acordada,

Com estrelas saltitando em constelação…

Comemorando nós dois, ungidos

Coloquei-me em tuas mãos,

Um destino. Um só futuro

Só para ouvir a música do teu coração e

O amor que transpiras e suspiras,

A beleza que em tu’alma cintila e

Apenas sintonizar a canção

Que me calma, inspira…

Com os acordes de tua melhor emoção

Agora também em minhas mãos!

Rosas de algodão!

Marta Nascimento, 13 de novembro de 2014, Governador Valadares-MG

Ver o post original

A poesia soletrou.

Da pedagogia do ditado

Pra entender o ditador.

Da pedagogia do oprimido,

pra entender o opressor.

 

Diriam que é método,

que todos estão certos,

mas carregam valores.

Pesos, Euros, Dólares.

Torpor…

 

Quanto custa uma poesia,

um emblema, uma fantasia,

um ícone, um mico,

um interstício.

Tempos de recrutamento,

on-line, massivo,

a todo momento

aprenderemos?

Economia da Informação,

desperdício de palavras,

entrar no fluxo,

evitareis os sustos,

da esfera semântica,

Algorítmico ou não.

 

Estamos todos classificados,

não unificaram os sinos,

os sinais, os significados.

Em algum lugar,

nesse instante,

desorientados caminham armados,

humanos desumanizados,

quiçá a economia de palavras,

esse grito primitivo,

conseguiria alcançar.

Ocupar um pouquinho seus olhos,

tocar seu coração,

melosos acordes, rufados

Arranco de sua mão,

essa prótese de pólvora,

e a ele ensino,

sementes, cultivadas,

sentido da vida. Suas mãos,

reconstruir a criação.

E proclamar em sua mente,

o milagre da vida,

que a ciência dispõe,

aquela questão.2016-11-08-19-28-41

Estereótipo – Postando hoje aqui no blog em homenagem ao dia da Consciência Negra.

Declamaria

Pra que alisar tanto este cabelo Negra?

Se cabelo de “pichain” vive de eterna

Alegria, sorriso, independente do seu querer?

Não gosto do meu falso liso…

Gosto mesmo é de os enrolar,

E você aí com seu black

Quer à força os alisar? (!)

Meu nem liso, nem enrolado

Sem nenhuma atitude

Murcho, sem nenhum apelo

Vive de bobs… Dorme de bobs

Pra ver se ao menos o cabelo

Eu copio da nobre raça

Do grande Marley… Nobre Bob!

E de madeixas enroladas

Enrolo o pesar da vida também

E carrego mais leveza no ser…

Que os anjos digam: Amém!

E você aí Negra!

Alisa o que Deus lhe deu, vá!?

Escondendo a moldura do belo rosto,

Que é de fazer tanto gosto.

Entenda Negra!

A tua beleza vem de dentro!

Ofusca o brilho de tua pele,

E se completa no sorriso das madeixas,

Então deixa, a perfeição Divina viver,

Ver o post original 89 mais palavras

Âmago ( A Branca, bem Preta…)

Declamaria

Sou a Branca mais Preta que você já ouviu falar

Sou a Preta mais branca que já viste dançar,

Falo oxente, mainha e rezo a deus OXALÁ!

Amanheço agradecida e de humor a transbordar

Anoiteço mansinha e espero a brisa me embalar

Numa rede artesanal, quem sabe sob a lua namorar?

Nasci baiana, vivo mineira

Sonho nordestina, viajo à brasileira

Sou branca, preta… não importa

Meu coração, Vitória… Conquista

entalhado na madeira

Caatinga, sertão e laço de chita.

Marta Nascimento, Gov. Valadares 08.02.2013

Ver o post original