Queijo com goiabada

 

Meu pensamento cantou

Então escrevi para você

Palavras audíveis em melodia

Coisa típica da Bahia.

Aguardo sua resposta…

Mineira, intervalada, reticenciada…

Daquele jeito pausado…

Entre uma frase e outra,

Um “grande sertão veredas” inteiro….

Ah!!! Como amo essa poesia sua de mineiro.

Marta Nascimento, Governador Valadares, às 11:33 12/11/2017. PVHM c/c@

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Não é não.

Fala amor,
sinto saudades,
tenho vontades,
de ouvir cordas,
cantado a dois.

Fala amor,
Escreve a música,
pensa na musa,
ela abandonou.

Fala amor,
diga seu não,
me forme,
então
sou aprendiz,
doutor…

Fala amor,
leves palavras,
frase encantada,
choro à saudade,
tempo que foi.

Fala amor,
que o terapeuta,
é meu problema,
insiste o lema,
vadio,
torpor.

Fala amor,
coração sadio,
chora um rio,
lhe ter,
de novo.

Fala amor,
no seu mural,
“emoticon” choroso,
me atordoou.

Fala amor,
metamorfose,
arteriosclerose,
essa cifose,
metabolismo,
descontrolou.

 

Os Luzíadas – Canto I

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Luís de Camões
.

A idéia

Augusto dos Anjos

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica …

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

Coleção Clássicos da Poesia Brasileira, v.18. Editora O Globo