Pode-se perdoar

 

Poema escrito a partir do relato de uma vítima de violência doméstica.

Não é um poema “bonitinho” mas, a beleza dele está na dor, na realidade e na fé que move tais vítimas a superarem sua história, perdoarem e seguir em frente.

 

Pode-se perdoar

 

Os vários celulares quebrados lançados na parede

As fotos de casamento rasgadas

A destruição de pertences íntimos e de valor pessoal

As portas do quarto do casal várias vezes quebradas

Pois eram trancadas,

Na ilusão de ter

Alguma proteção durante a madrugada,

Que, costumeiramente,

Com violência se encerrava

Quem sabe escapulir só aquela noite

E ter um sono de paz…

 

Pode-se perdoar

 

A dilapidação da herança recebida pela morte dos pais

O esgotamento da renda pessoal,

Salários e honorários recebidos

Para suprir a ausência de auxilio nas despesas do lar,

Pois, era com bebida alcoólica que o agressor preferia gastar.

 

Pode-se perdoar

 

As amizades desfeitas para evitar ciúmes e

Evitar outras complicações

Nem podia assistir, do Pe. Fábio de Melo, as pregações

Tudo o incomodava…

Muitas coisas hoje, em parte, já esquecidas

(Graças a Deus)

Que agora nem sei contar…

Mas era tanta explicação para dar,

A roupa para o trabalho, o perfume, o cabelo arrumado…

Que dava também preguiça…

Em discutir, argumentar…

 

Pode-se perdoar

A vedação de ouvir as músicas do cantor preferido

“ Eram românticas demais” e, assim,

me era logo inquirido:

“ – Em quem vc está a pensar?  Porque em mim não pode ser”

Ainda bem que o agressor sabia

Que, romantismo com ele não dava para fazer….

 

Pode-se perdoar

 

Todas as poesias não escritas

Sufocadas pela dor física,

Ou pelo aprisionamento psíquico

Ou, simplesmente,

Para competição não despertar…

 

Pode-se perdoar

 

O abandono aos prazerosos trabalhos voluntários e

Campanhas que havia deixado de fazer

Para evitar destaque pessoal e ele não se sentir diminuído …

Os convites de tantas comemorações e festas que foram ignorados

Para que a sociedade não percebesse a vergonha familiar

E por mais brigas me culpar….

 

AAAAAAAAAh…. (respiro fundo) Pode-se perdoar

 

Traumas psicológicos de co-dependência

O Sofrimento com a síndrome de Estocolmo e os

Xingamentos de toda ordem…

“-Burra”! “Gorda”! “Lixo”!

“- ninguém vai te querer”!

 

Pode-se perdoar

 

O dedo quebrado friamente quando estava ainda grávida…

Ou a surra recebida em resposta à confirmação da gravidez…

Perdoa-se até o sexo roubado,

O resguardo quebrado,

As relações sexuais não consentidas,

A alma dilacerada e ferida…

Pode-se perdoar. Perdoei!

Perdoava todo dia

Perdoei várias vezes num só dia!

 

Mas ao estupro que o judiciário faz a mulher vítima de violência passar…

Isto não dá para perdoar!

São tantos erros processuais, desinteresse em julgar,

A temida prescrição…

ESTA NÃO DÁ PARA PERDOAR

 

São quatro anos esperando uma sentença

Meu ALVARÁ DE SOLTURA

Ou atestado de “não loucura”

DA VÍTIMA QUE, DE TANTA LUTA,

QUASE MORTA ESTÁ…

Aguardando uma condenação que seja

De uma flor, a outra mulher vítima,

O AGRESSOR ENTREGAR…

 

VIROU PRESCRIÇÃO

Á OMISSÃO DO ESTADO,

A QUEBRA DO CONTRATO SOCIAL

E AGORA? EM QUEM CONFIAR?

 

NÃO, ISSO JAMAIS PODEREI PERDOAR.

 

Marta Nascimento 21.06.2018. Texto cedido ao Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Governador Valadares para o Seminário ocorrido em 22/06/2018. Tema: “Rede de combate à violência contra a mulher: Do atendimento na DEAM ao processo no judiciário.

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Queijo com goiabada

 

Meu pensamento cantou

Então escrevi para você

Palavras audíveis em melodia

Coisa típica da Bahia.

Aguardo sua resposta…

Mineira, intervalada, reticenciada…

Daquele jeito pausado…

Entre uma frase e outra,

Um “grande sertão veredas” inteiro….

Ah!!! Como amo essa poesia sua de mineiro.

Marta Nascimento, Governador Valadares, às 11:33 12/11/2017. PVHM c/c@

O poder pode.

pode pedir eleição no papel,

pedir taxar grandes fortunas,

diretas já,

pode pedir pra libertar inocentes,

pedir políticas públicas de sementes,

juros baixos,

isonomia.

O poder pode,

pedir menos agressão ao meio ambiente,

menos violência,

mais educação,

saúde,

pode pedir seguros seguros,

pedir redução,

carga horária,

pode pedir mais tempo com à família,

pedir mais esportes,

mudanças,

pode pedir mais leitura,

menos maldades

impostas no imposto,

O poder pode,

pedir menos burocracia,

mais privacidade,

evolução,

lazer.

O Poder pode,

pedir menos fome,

menos ignorância,

menos manipulação.

Pedir mais surpresas alegres,

cativação,

inovação,

mais justiça,

mais paz,

mais gentileza,

mais energia solar.

O poder pode peticionar,

o direito de ir à lua.

de retirar à catraca,

Pedir mais praças,

menos pedágios.

O poder dá um Cheque,

pro sistema.

O poder pode e pede.

Pediu pra alguém dizer pra eles,

que não podiam pedir,

não!

Poder.

E pediu paulada,

pediu pedrada,

porrada,

pediu e perdeu.

o direito de poder

pedir.

 

Castigar à Oratória.

Perdão, pelas palavras moídas,

pelas vírgulas perdidas,

Perdão, ao preconceito linguístico,

que oprime, o rito, do grito,

Perdão pelo assassinato da crase,

pela mesóclise.

Perdão, pelo tempo da gramática,

perdida e entrelaçada,

nas metáforas visuais.

Perdão por esmagar o verbo,

suprimir os erros,

de heranças lexicais.

Perdão, por moer a semântica,

picar à semiótica.

Perdão, por enfileirar símbolos,

gesto primitivo.

De comunicar à letra.

Perdão, por falar que era tarde,

e que o poente, arde.

quimera de pensamento.

Perdão, pelo senso do hiato,

Corrigindo bem alto,

Gritou “Socoro”,

Ele veio.

Perdão, que hora tu ria,

e hora,

tu chora.

Hora que abuso, perdão pedimos.

Abusos da oratória.

 

 

 

Vou me embora pra “Mostarda”.

Nietzsche é “deusvidoso”,

Adélia de Divinópolis,

Cruz & Souza vizinho,

Foucault?

Sexo, móveis.

Controle dos corpos

O pano óptico que nos move.

No fim, tudo macaco.

 

Hawking não embarcou,

espaçonave,

transmutou, a física

Do buraco negro.

fundido no carro,

estilhaçado,

de ritmos,

não vistos,

de reação,

da fórmula,

ação.

 

Das mãos

inconsequentes

De uma poesia,

ilusionária.

Marcada,

grifada,

repetida,

doutrinária,

da insensatez

da eterna infância,

poética,

que defenestra,

à rigor todo mal,

nos afaste,

da guerra,

da fera,

que consome pesadelos.

Arrepiam nossos pelos,

animais, nesta terra.

 

 

Retesa macaco,

retesa,

que a peste,

a moléstia,

persegue

o palhaço,

insensato,

branco ou vermelho.

Cru ou Assado.

 

Ordem ao ORDinário

Declamaria

Ordem ao ORDinário

Ordem ao ordinário!

Especialmente ao rito processual.

A bagunça de divórcios, esbulhos e inventários!

Fatos mal colocados, desordenados e

“Encapados” que, num vai e volta, trasladados

De secretaria em gabinete, tanta preguiça!

Que de ordem e verdade mesmo

Só restou a vontade de quem,

Um dia idealizou ali fazer-se justiça.

Abaixo ao rito des- ordinário processual!

Coisa comum mais esquisita!

Só o advogado cumpre prazo!

E isso lá é forma de se fazer justiça?

Sim, a contrariu sensu,

Tudo que tarda falha!

E quem em sã consciência

Neste país quer liberdade

Ainda que tardia?

Por que se bradar louca fantasia?

Justiça que se preze

Tem o inocente livre como primazia.

É o que o cidadão espera

Justiça, Liberdade e Democracia!

Não quer o passado que já era,

Nem vê-se livre após as rugas,

Enquanto na cadeia envelhecia,

Menos ainda rever parentes, amores

Enquanto ele mesmo de desgosto…

Ver o post original 108 mais palavras

Juiz Gabaritado.

 

Juízo,

é o nome dado,

ao raro que obtém,

título, saber

ciências e dados.

 

Juízo científico,

é prova, material,

junção de laços.

Dos fatos, provas,

autos.

 

Juízo não cabe,

convicção, desejo,

ódio, amor,

pensamento raso.

 

Juízo é dado,

a experiência do homem,

razoável.

Que detém,

regras,

ciência e datas.

 

O juiz, entende,

que leis são escravas,

do tempo, da ordem,

da severidade.

Imputabilidade.

 

A letra precisa,

da escrita,

carrega verdades,

pela razão pura,

sanidade.

 

Juiz, na tribo,

é sábio.

Juiz,

cala à fome,

igualdade equidade.

não antecede à verdade,

algoritmos óbvios,

sem fórmulas,

indecifráveis.

 

Lógica Juiz,

Prevaleça.

Convicções,

para longe,

inépcia, bola fora,

O gol não deve ser,

marcado.

 

Mãe de Juíza,

é santa,

salvo o contraditório.

Descrito nos autos.

 

Juízo, é o nome dado,

ao raro que obtém,

título, saber

Juiz e direito,

imaculável.

 

Florrindo na Lua em um dia qualquer.

Mar i elle

9 balas me atingiram

Tentaram calar meu grito

E 9 pombas de mim partiram.

Mastigaram minha história

Misturaram fatos, falas e fotos

Mas ainda vivo… (Enfim) Na glória!

Liberta e sem rótulo!

Não sou mais mulher

Não sou mais negra

Não sou mais favelada

Mas ainda sou…

O grito que dei,

O amor que amei

A luta que travei

A paz que plantei.

Sou Mar,

Sou céu,

Soul véu…

Sou Mar i elle

Posso ser você

Atravessar seu coração

Como rajada de bala

Transbordar seus poros

Exalar-me em sua pele!

Meu nome? É MARIELLE

                                    Marta Nascimento Perim Moreno, 14 de março de 2018.

POEMA PARA MINHA MÃE

Declamaria

Me pediram pra falar

da importância da leitura

Então vou te contar

que ela pode fazer

sua vida ser menos dura!

Lendo você viaja o mundo

e de forma bem segura!

Minha mãe sempre lê pra mim.

Até poesia já me fez

Agora sinto que posso fazer o mesmo

Estudando bastante literatura e português!

Mariana Nascimento Perim Moreno. 26.02.2018, Governador Valadares- MG

(Era uma atividade escolar que virou presente pra mamãe… Amei!)

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POEMA PARA MINHA MÃE

Me pediram pra falar

da importância da leitura

Então vou te contar

que ela pode fazer

sua vida ser menos dura!

 

Lendo você viaja o mundo

e de forma bem segura!

Minha mãe sempre lê pra mim.

Até poesia já me fez

Agora sinto que posso fazer o mesmo

Estudando bastante literatura e português!

 

Mariana Nascimento Perim Moreno. 26.02.2018, Governador Valadares- MG

(Era uma atividade escolar que virou presente pra mamãe… Amei!)

 

Não é não.

Fala amor,
sinto saudades,
tenho vontades,
de ouvir cordas,
cantado a dois.

Fala amor,
Escreve a música,
pensa na musa,
ela abandonou.

Fala amor,
diga seu não,
me forme,
então
sou aprendiz,
doutor…

Fala amor,
leves palavras,
frase encantada,
choro à saudade,
tempo que foi.

Fala amor,
que o terapeuta,
é meu problema,
insiste o lema,
vadio,
torpor.

Fala amor,
coração sadio,
chora um rio,
lhe ter,
de novo.

Fala amor,
no seu mural,
“emoticon” choroso,
me atordoou.

Fala amor,
metamorfose,
arteriosclerose,
essa cifose,
metabolismo,
descontrolou.